Rio2016: Festa de encerramento dos Jogos emociona público e atletas e termina em samba

Depois de 17 dias e mais de 300 provas de 42 modalidades esportivas, a chama olímpica foi apagada na noite deste domingo (21/08), encerrando oficialmente os Jogos Olímpicos Rio 2016. No Maracanã e na Candelária, as Piras Olímpicas se apagaram às 22h26, sob aplausos do público que lotou o estádio para a Cerimônia de Encerramento.


A Pira do Povo, no entanto, continuará no Boulevard Olímpico do Porto Maravilha, celebrando a primeira edição dos Jogos na América do Sul. A carioquice e brasilidade deram o tom da festa no Maracanã, que terminou com baterias de escolas de samba em um carnaval fora de época. Nem a chuva tirou a animação do público, que assistiu à passagem da Bandeira Olímpica do Rio de Janeiro para Tóquio, sede da Olimpíada em 2020.


A cerimônia dirigida pela carnavalesca Rosa Magalhães, com produção musical de Alê Siqueira, emocionou o público ao fazer um passeio pela música brasileira, com ritmos como samba, frevo e maracatu. Santos Dumont, inventor do avião e pioneiro no uso do relógio de pulso, foi mais uma vez lembrado, após a homenagem ao 14-Bis na Cerimônia de Abertura, em 5 de agosto.

Caracterizado como o aviador, um ator acompanhou a contagem regressiva para o início da festa, que culminou em um grande show de fogos de artifício. O centro do gramado foi tomado por 206 pessoas vestidas de pássaros da fauna brasileira. Ao som do grupo de percussão Barbatuques, os dançarinos formaram diversos desenhos de pontos turísticos do Rio de Janeiro, como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar.


A coreografia foi acompanhada de projeções inspiradas na obra da pintora modernista Tarsila do Amaral. Após a formação do último desenho (os Aros Olímpicos), o sambista Martinho da Vila homenageou – ao lado de três filhas e uma neta – grandes compositores brasileiros, como Pixinguinha, Braguinha e Noel Rosa.

O Hino Nacional foi tocado por atabaques e cantado por coral formado por 27 crianças representando os estados brasileiros e o Distrito Federal. A ex-tenista Maria Esther Bueno levou para o palco a bandeira do Brasil. Na entrada das 207 delegações, Roberta Sá homenageou Carmen Miranda e cantou Tico-Tico no Fubá. Isaquias Queiroz, medalhista da canoagem, foi o porta-bandeira brasileiro.


O desfile contou com grande diversidade musical, representando as várias regiões do país. A festa da cultura brasileira fez ainda uma viagem ao passado mais remoto, chegando às pinturas rupestres da Serra da Capivara. Patrimônio Mundial da Unesco, o sítio arqueológico localizado no Piauí foi representado por 224 dançarinos, ao som de um coral de crianças guaranis.

As mulheres rendeiras também entraram em campo e teceram rendas de bilros, uma herança portuguesa que hoje é um dos patrimônios culturais do nordeste do Brasil. Em outro momento de grande emoção, dançarinos vestidos de bonecos de barro ocuparam o centro do Maracanã em um grande forró. O público acompanhou em coro a execução de “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga.


O Comitê Olímpico Internacional lançou durante a cerimônia o Canal Olímpico, uma plataforma digital criada para engajar o público e aproximar interessados no esporte durante o intervalo de quatro anos entre os Jogos. Cinco atletas, entre eles o ginasta brasileiro Arthur Nory, subiram ao palco enquanto o DJ norueguês Kygo e a cantora Julia Michaels apresentavam a música “Carry Me”.


Os atletas dos Jogos Rio 2016 foram homenageados em um vídeo com trilha sonora das Bachianas No. 5, de Heitor Villa-Lobos, que relembrou os grandes feitos da Olimpíada do Rio. Na plateia, os brasileiros vibraram quando atletas do país, como a judoca medalhista de ouro Rafaela Silva, apareceram no telão. O nadador americano Michael Phelps e o velocista jamaicano Usain Bolt também foram ovacionados.

Tradição nas cerimônias de encerramento dos Jogos, o último pódio das Olimpíadas foi formado pelos vencedores da maratona masculina, que percorreram 42km neste domingo pelas ruas do Centro e da Zona Sul. As medalhas foram entregues pelo presidente do COI, Thomas Bach. Para agradecer ao trabalho de todos os voluntários, Lenine cantou uma versão adaptada da música “Jack Soul Brasileiro”. Na sequência, foi tocado o hino nacional da Grécia e hasteada a bandeira do país, berço dos Jogos.

Enquanto a bandeira olímpica era recolhida, o Hino Olímpico era cantado por crianças do Projeto More. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, devolveu a bandeira a Thomas Bach, que a entregou à governadora de Tóquio, Yuriko Koike, finalizando a tradicional passagem de bandeira entre a atual e a futura sede dos Jogos.


Foi a vez, então, de o Japão ocupar o Maracanã durante oito minutos, apresentando o país que vai receber a Olimpíada em 2020. Um vídeo mostrou o personagem Mario, de um famoso jogo de videogame, tentando chegar de Tóquio ao Rio por meio de um encanamento. Finalmente, o cano chegou ao palco e dele saiu o primeiro ministro japonês, Shinzō Abe.


Bach e Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016, fizeram discursos elogiosos ao Rio de Janeiro e ao Brasil. “Todos os brasileiros são heróis olímpicos”, disse Nuzman. “Foram Jogos Olímpicos maravilhosos, na Cidade Maravilhosa”, complementou Bach, que chamou seis cidadãos cariocas para receber uma homenagem do COI ao povo do Rio de Janeiro.

Logo após declarados encerrados os Jogos Olímpicos Rio 2016, dançarinos com figurinos inspirados em espécies da flora brasileira formaram um grandioso jardim em homenagem ao paisagista Burle Marx. A cantora Mariene de Castro surgiu ao lado da Pira Olímpica e, enquanto cantava a música “Pelo Tempo que Durar”, uma chuva artificial apagou a chama. No mesmo instante, a Pira do Povo, localizada em frente à Igreja da Candelária, também foi apagada.


Para encerrar a cerimônia em um autêntico clima carioca, um desfile de carnaval tomou conta do Maracanã, com direito a componentes da Mangueira e do Cordão da Bola Preta. Em meio à chuva de serpentina e ao show de fogos final, os atletas não resistiram e encerraram a noite – e os Jogos do Rio – da forma mais carioca possível: com samba no pé.

Dados cedidos pelo Rio Media Center.

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